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10 tecnologias inovadoras que podem alimentar o mundo sem destruí-lo

Novas tecnologias podem reduzir o impacto ambiental do agronegócio e alimentar uma população mundial que aumenta cada vez mais

A população mundial hoje é estimada em 7.7 bilhões de habitantes. Em 2050, devem ser 10 bilhões. A produção de alimentos, vegetais e animais, deve aumentar para alimentar tantas bocas. Mas o impacto social e ambiental desse aumento de produção não pode ser desconsiderado. Como alimentar tanta gente e, ao mesmo tempo, ter desenvolvimento econômico, proteger e restaurar florestas e estabilizar o clima?

Um relatório do World Resources Institute recomenda ações necessárias para atingir essa meta. E também lista algumas tecnologias disruptivas que podem torná-la possível. São tecnologias que devem ser consideradas por empreendedores de impacto, que atuem ou desejem atuar com agronegócio sustentável.

Abaixo, você pode ler sobre essas tecnologias.

Carnes vegetais

A pecuária é uma das maiores responsáveis por emissões de gases de efeito estufa, uso latifundiário da terra e desperdício de água. Produtos feitos a base de plantas, mas com o mesmo aspecto e sabor da carne, podem ser uma solução para esses problemas. Duas empresas que estão investindo nessa tecnologia são a Impossible Foods e a Beyond Meat.

Vida de prateleira estendida

Cerca de um terço dos alimentos produzidos no mundo é desperdiçado e jogado no lixo. Parte significativa desse desperdício são frutas e vegetais que estragam rapidamente. Algumas empresas têm criado soluções para estender o seu prazo de validade. É o caso da Apeel Sciences, que criou um “filme plástico pulverizado” que inibe a proliferação de bactérias e retém a água na fruta.

Anti-gases para vacas

Cerca de um terço dos gases de efeito estufa emitidos pelo agronegócio vem do gás metano solto pela flatulência das vacas. Institutos de pesquisa têm trabalhado em rações que suprimem a formação de gás metano no estômago desses animais. A DSM desenvolveu um produto, ainda em teste, chamado 3-NOP, que reduz essas emissões de gás metano em 30% e aparentemente é livre de efeitos colaterais para a saúde ou para o ambiente.

Compostos que mantém o nitrogênio no solo

Cerca de 20% dos gases de efeito estufa da produção agrícola vem do nitrogênio que está nos fertilizantes e adubo usados em plantações e pastos. O nitrogênio é transformado em óxido nitroso pela ação de micro-organismos, que então é emitido para a atmosfera. Institutos de pesquisa têm criado “inibidores de nitrificação” que podem reduzir essas emissões.

Plantações que absorvem nitrogênio

Outra maneira de reduzir a emissão de óxido nitroso é desenvolver variedades de culturas que absorvem mais nitrogênio ou inibem a nitrificação. Algumas pesquisas nesse sentido já identificaram algumas variedades de culturas com essa capacidade em todas principais culturas de grãos.

Arroz com baixo teor de metano

Cerca de 15% das emissões de gás metano da produção agrícola vem do cultivo do arroz. Algumas variedades desse grão emitem menos metano do que outras. Elas podem ser usadas para criar novas variedades que apresentem uma redução de 30% nas suas emissões.

Usar CRISPR para aumentar o rendimento das lavouras

Segundo a Sociedade Brasileira de Genética:

CRISPR é uma técnica de biologia molecular que em poucos anos se tornou protagonista de um avanço surpreendente na genética. Por meio dela é possível: inativar genes (knockout), integrar tasngenes em regiões específicas do genoma (knock-in), mapear genes nos cromossos, regular positiva ou negativamente a expressão gênica (CRISPRa e CRISPRi), rastrear RNAs na célula (RNA tracking), visualizar regiões no genoma (DNA labeling), substituir sequências alélicas (allelic replacement), deletar genes, entre muitos outros.

A técnica pode se usada para aumentar a produção das terras cultivas, produzir mais leite ou carne.

Óleo de palma de alto rendimento

O óleo de palma é usado para todo tipo de produto, de xampu a biscoitos. Contudo, é uma cultura que tem resultado em grande desmatamento no sudeste asiático, assim como na África e na América Latina. Uma maneira de reduzir esse problema é cruzar diferentes variedades de palmeiras que produzam de 2 a 4 vezes mais por hectare. Na Indonésa, por exemplo, a PT Smart criou uma variedade que triplicou a produção por hectare.

Ração de peixe feitas de alga

Na piscicultura, é comum usar peixes pequenos como alimento para peixes maiores criados em cativeiro. Em larga escala, essa prática causa risco de extinção para espécies usadas como ração. Uma alternativa é desenvolver rações feitas de alga ou de sementes oleagenosas, ricos em ômega-3, necessário para a alimentação de peixes. Algumas empresas já estão fazendo a transição para essa técnica.

Fertilizantes movidos a energia solar

A produção de fertilizadores a base de nitrogênio usam grandes quantidades de combustíveis fósseis e resulta em significativas emissões carbônicas. Da mesma maneira que muitas empresas têm investido em energia solar para produzir o hidrogênio que abastece veículos elétricos, tecnologias similares poderiam produzir fertilizantes de baixo carbono. Fábricas de fertilizante que adotam essa técnica já estão sendo construídas na Austrália.

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Com informações do Sustainable Brands.

Foto: VisualHunt.


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