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Entrevista: Como abordar um fundo de investimentos para a sua startup de impacto

Prepare-se para captar recursos de um fundo de investimentos para o seu negócio; Kim Machlup explica como

Em entrevista para o Kaleydos, Kim Machlup, sócia da Mov Investimentos, orienta empreendedores com negócios de impacto sobre como abordar um fundo de investimentos para seus projetos. Perguntamos a ela quais são os melhores momentos para se procurar um fundo, como se preparar para apresentar o seu projeto e o que esperar de todo o processo.

Leia a entrevista abaixo. Você também pode ouvir o áudio no Souncloud do Kaleydos, clicando acima.

Kim Machlup
Kim Machlup, sócia da Mov Investimentos

Em que momento o empreendedor deve buscar um fundo de investimento?

Tem dois estágios. Um primeiro estágio onde o empreendedor ainda está com um piloto, com um MVP correndo. E aí ele pode optar por procurar um investidor-anjo, como a gente chama. Um investidor que se proponha a investir quantias pequenas, mas para testar aquela ideia, aquele produto, e ajudar a chegar ao segundo momento.

Aí sim é uma procura por um investidor um pouco maior, em geral um investidor institucional. É o momento em que o empreendedor já teve um teste de mercado, já colocou o serviço no mercado, tem uma proposta de valor clara do que vai entregar. Consegue identificar quem é o mercado, qual é o modelo comercial. E já tem um pouco de um histórico de vendas para poder abordar o investidor. Pode apresentar o que é o seu negócio.

 

Como ele deve se preparar para procurar um fundo de investimentos? O que ele deve fazer antes de entrar em contato?

Primeiramente, acho que ele tem que ter muito claro o que ele vai buscar. O que vai buscar com esse investidor e o quem é o investidor que ele está procurando. Quais são as competências, não somente o capital financeiro, mas quais são as competências que ele quer trazer junto com esse investidor para dentro do negócio dele.

E aí conseguir apresentar um claro potencial de impacto que o negócio dele tem. Então, essa mensagem de impacto, do que ele está fazendo. Seja beneficiar alguma população específica, seja para trazer alguma solução pro meio ambiente. Tem que ser muito clara essa mensagem de exatamente o que ele está buscando solucionar como problema. É importante que ele consiga apresentar qual é esse problema e o quanto desse problema ele consegue solucionar. Quão relevante é o negócio dele.

Ter uma ideia de como é possível escalar esse negócio e poder dizer, dependendo um pouco do estágio do negócio. Se ele ainda está em estágio bastante inicial, um pouco do que é o caminho que ele tem que percorrer para poder desenvolver esse negócio, para poder crescer. E o que ele está buscando também de ajuda desses investidores para trazer para dentro do seu negócio.

Além de apresentar a problemática, a solução que ele está desenvolvendo, o mercado, um pouco de um plano do caminhar da empresa, que seria um plano de negócios… é importante também que ele possa apresentar uma equipe capaz de entregar todos esses critérios que os investidores vão estar buscando no negócio dele.

 

Agora vamos imaginar que o empreendedor abordou um fundo de investimentos, tendo feito toda essa lição de casa e feito uma boa apresentação. O que ele deve esperar como devolutiva do fundo de investimentos? Que tipo de resposta ele deve ter?

Primeiro ele pode esperar também um não do investidor. Acho que o empreendedor deve ter muito claro que a avaliação depende também um pouco do mandato de cada um dos fundos, de cada investidor, do que eles estão buscando. Em que pé, também, do lado dos investidores, esse olhar de que o que ele está se propondo cabe também ao propósito do fundo, dos investidores. Se fizer sentido no mandato do investidor…

E aí vai ter uma análise bastante aprofundada que pode variar de investidor para investidor. Tem alguns que têm processos um pouco mais rápidos. E alguns que tem processos um pouco mais alongados e um pouco mais profundos do negócio.

Provavelmente, o investidor vai querer conhecer toda a equipe, não só o empreendedor. Ele vai querer entender se existem outros sócios, quem são os outros sócios que estão nesse negócio. Aprofundar um pouquinho mais em produto, em mercado. Entender qual é o produto, como ele está sendo desenvolvido. Estudar um pouco o mercado.

Então, conhecer eventualmente clientes que estejam comprando desse empreendedor. Ouvir um pouco desse feedback dele. Um plano de negócios um pouco mais detalhado, que o investidor possa se aprofundar em entender quais são os gargalos, quais são os riscos de execução desse plano de negócios. E aí poder conviver um pouquinho com o empreendedor.

Acho que é importante a gente pensar também pro empreendedor que essa relação entre empreendedor e investidor, a gente possa pensar como um casamento. Algo de longo prazo e que os dois lados têm que conseguir conviver muito bem. Tem que conseguir dialogar e construir algo em conjunto. Então é importante que exista essa construção desse relacionamento, que é super importante para o desenvolvimento do negócio. Acho que essa convivência por algum tempo, de se conhecerem os dois lados, entender que aquele é o melhor fit que tem para ambos os lados é super importante também.

Em termos de tempo de processo, varia bastante. Alguns processos podem ser muito rápidos, seriam de dois, três meses. Alguns podem levar um pouco mais de tempo, chegando a oito, nove meses, até um ano. Depende muito do tipo de diligência, da profundidade a que os investidores chegam, e do tamanho do investimento também.

Gabriel Mallet Meissner

Editor da plataforma Kaleydos.

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