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Como estimar retornos ao investir em startups

O investidor de startups em geral deve esperar retornos binários em seus investimentos: ou as empresas vão dar certo ou irão falir. Saber quais terão sucesso é obviamente o grande desafio, principalmente porque neste universo os melhores negócios tendem a não parecer promissores de início. Mesmo assim, o volume de capital semente disponível para novos negócios cresceu aproximadamente 100% ao ano de 2013 a 2015 nos EUA. No Brasil o volume de fato investido nas empresas aumentou quase 15% ao ano no mesmo período, segundo pesquisa da Anjos do Brasil.

Mas se por um lado o capital alocado para startups vem aumentando, e a quantidade de empreendedores também, por outro lado o número da empresas que realmente irão gerar retornos significativos não deve alterar. Segundo o respeitado investidor Fred Wilson, todo ano, aproximadamente 30 empresas investidas por fundos de venture capital nos EUA irão proporcionar retornos desejados para seus acionistas. Isso significa que se o investidor não estiver em nenhuma dessas empresas, ele provavelmente irá perder dinheiro.

A importância da Lei de Potência para startups

Um dos conceitos mais importantes que todo investidor-anjo precisa incorporar é o de que os retornos em startups seguem uma distribuição de Lei de Potência — ou seja, provavelmente a melhor empresa de um determinado portfólio irá valer mais do que todas as outras juntas. Mas embora a maioria das pessoas afirma entender essa lógica, são raras aquelas que de fato a praticam — talvez por ser difícil tangibilizar a diferença de um retorno de 10x e outro de 100x (ou 1.000x), ao passo que a intuição remete a uma distribuição normal, conforme figura abaixo.

A conclusão para o investidor que entende a Lei de Potência deveria ser que para ser bem sucedido investindo em startups é necessário agir da seguinte forma:

  1. Investir em várias empresas, aceitando que a maioria delas irá falhar, e
  2. Ter capital suficiente para fazer não apenas o investimento inicial, mas principalmente novos aportes em rodadas futuras (prática conhecida como follow-on) — afinal é basicamente defendendo sua participação nas empresas bem sucedidas que o investidor irá gerar o retorno esperado do portfólio.

Diversificar o risco não significa, entretanto, que aplicar em startups é o equivalente a jogar na loteria e que o investidor deve distribuir seu capital entre o maior número de empresas possíveis. Isso porque o objetivo, segundo a lógica aqui apresentada, não é investir em empresas que possuem uma boa chance de ter sucesso, mas sim encontrar aquelas poucas que irão alcançar um sucesso monstruoso. E como não é fácil encontrar um grande número de empresas com tamanho potencial de retorno, financeiramente falando, faz mais sentido concentrar as apostas em 20 delas com expectativa de retorno de pelo menos 20x, do que em 100 que possam retornar 100x o capital aplicado.

O funil do venture capital: a seleção natural de startups

Mesmo os mais bem sucedidos investidores-anjos do Vale do Silício não possuem uma taxa de acerto alta entre as suas empresas investidas. Ron Conway, fundador do SV Angel e uma das maiores referências no assunto nos EUA, por exemplo, só não vê seu dinheiro evaporar em 60% das startups que investe — o restante delas vai à falência. Considerando que ele investe em uma a cada quarenta empresas que estuda, e que só analisa uma oportunidade se vier bem referenciada por sua vasta rede de contatos, fica claro que a taxa de mortalidade de uma startup é ainda muito superior a essa.

Uma pesquisa da CB Insights com mais de mil empresas que levantaram capital semente entre 2009 e 2010 apresenta um interessante mapa do funil da indústria de venture capital:

  • Menos da metade (40%) das empresas levantaram uma segunda rodada de capital;
  • 22% proporcionaram uma saída para seus investidores através de uma operação de fusão&aquisição ou IPO;
  • Menos de 1% das empresas alcançaram um valuation igual ou maior que U$1B;
  • 77% das startups faliu, está prestes a falir ou virou um negócio lucrativo para os fundadores, mas sem potencial de ganho para os investidores

Conclusão

Como escreveu Paul Graham, para ser bem sucedido investindo numa área que contraria sua intuição, é necessário bloqueá-la e fazer aquilo que racionalmente você sabe ser correto, apesar de parecer errado.

Portanto, se investir em startups é mesmo para você, comece devagar e mantenha-se firme em busca de uma diversificação de pelo menos 20 negócios, e faça uma diligência cuidadosa tanto da startup quanto dos co-investidores.

Originalmente publicado pelo Broota


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