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economia circular

Fazendo a transição para uma economia circular

A crise climática reforça a importância de um modelo de negócios que incorpore preocupações sociais e ambientais

Por Julio César Aparicio. Publicado originalmente pelo B Lab. Tradução: Kaleydos.

Durante o século 20, como continuação da revolução industrial, a capacidade de produzir e consumir aumentou à medida em que a economia linear emergiu, em um cenário no qual um produto ou serviço é comprado, usado e jogado fora.

Ao mesmo tempo, a população humana se multiplicou e as necessidades da humanidade também. Tudo isso causou uma super exploração dos recursos naturais, como carvão e petróleo, o que gerou desequilíbrios ambientais. Por exemplo, o maior consumo de combustíveis fósseis produziu um aumento na produção de CO2 e de outros gases de efeito estufa que contribuem para o aquecimento global.

O modelo linear deu prioridade à lucratividade econômica de curto prazo sobre as questões ambientais e sociais. É um sistema que está se provando inviável.

Precisamos mudar o modelo ou enfrentaremos crises sem precedentes. Falta de comida, falta de água e aumento do nível do mar causarão movimentos migratórios sem controle para pessoas vivendo em áreas costeiras altamente povoadas.

Como uma alternativa ao modelo linear, a economia circular é um sistema que busca minimizar o descarte e mudá-lo ao reutilizar e reciclar materiais. Idealmente, nós reutilizaríamos tudo, mas isso é utópico hoje em dia. O modelo de economia circular leva em consideração questões ambientais, sociais e econômicas.

A mudança para esse novo sistema deveria vir de todos que tomam uma iniciativa. Deveríamos criar um sistema econômico similar ao ecossistema da natureza, em que o lixo de uma pessoa é a matéria-prima de outra. Deveríamos procurar por sinergias constantemente.

Governos devem pressionar por essa mudança. Por exemplo, a União Européia lançou, dentro de suas diretrizes para um economia circular, metas de reciclagem para os próximos 16 anos. Essa política de gestão de resíduos promoveu uma hierarquia diferente em que o primeiro objetivo é evitar a geração de lixo, então reutilizá-lo, reciclá-lo, incinerá-lo e, como último recurso, depositá-lo em um aterro sanitário.

Fundos de investimento devem ser mais responsáveis. Por exemplo, o fundo soberano da Noruega não investe mais em empresas de petróleo e outras entidades que não levem questões ambientais e sociais em consideração.

Empresas devem realizar a sua produção de diferentes maneiras, até mesmo mudando os seus modelos de negócios. Um bom exemplo é o ecodesign, que usa produtos reutizáveis ou recicláveis para que não sejam descartados em um aterro sanitário ou no mar. O ecodesign se destaca em comparação às abordagens de design que apenas buscam reduzir custos.

Consumidores devem premiar empresas que promovam modelos sustentáveis e produtos sustentáveis, e que contribuam com ideias que melhorem os nossos habitats. Essa é a nossa responsabilidade. Por exemplo, Oslo, na Noruega, está reunindo ideias de cidadãos que impulsionem a cidade para um impacto ambiental neutro.

Essa mudança necessária de uma economia linear para uma economia circular significa novas oportunidades. Um exemplo claro é a biorrefinaria, que é composta por empresas que podem crescer ou se reinventar ao extrair componentes de alto valor agregado a partir dos resíduos dos setores agrícola e de alimentação, em vez do petróleo. Há muitas iniciativas para mudar o modelo de negócio rumo ao uso compartilhado – pagar por um uso parcial e não pela propriedade – de carros, moda e outros itens.

Estamos enfrentando um enorme desafio para mudar o modelo de consumo. Precisamos incluir preocupações ambientais e sociais em nossos critérios de compra e ser mais conscientes a respeito dos resíduos e emissões que geramos.

A transição de uma economia linear para circular não é simples, mas é necessária. Nós podemos fazer isso de uma maneira progressiva e preventiva ou teremos que fazê-lo de maneira corretiva e difícil, como está acontecendo com as catástrofes naturais (incêndios, inundações, furacões) que estão se tornando frequentes e mais significativas economicamente.

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