Kaleydos

Empreendedores contam o que faz seus negócios decolarem

Que decisões e acontecimentos são importantes para que um negócio, tradicional ou de impacto social, dê certo? 8 empreendedores compartilham suas experiências

Por mais inovador que seja, um empreendedor não parte do zero em seu empreendimento. Sempre parte, pelo menos, do conhecimento acumulado sobre o seu setor e sobre gestão de negócios. Parte importante do seu preparo é conhecer casos de sucesso e ouvir de empreendedores mais experientes.

Pensando nisso, a Kaleydos e a Pipe.Social pediram a alguns empreendedores que comentassem de 1 a 3 acontecimentos ou decisões que foram chave para fazer o seu negócio decolar.

Como você verá abaixo, as respostas são cheias de bons insights e dicas. Que tal se inspirar com quem já está no mercado e tem experiência para compartilhar?

Em 2018, fizemos outra matéria em que empreendedores compartilharam seus maiores erros e o que aprenderam com eles. Afinal, errar também é parte importante do aprendizado. Você pode ler a matéria aqui.


Este é um conteúdo da série:


Ana Carolina de Liz – Funcionárias

O que é: Empresa especializada em trabalhar com materiais têxteis que não são mais utilizados pelas confecções, gerando impacto socioambiental por meio de produtos feitos à mão.

Segundo Ana, foi importante que o propósito da empresa estivesse alinhado ao seu propósito pessoal.

“Quando lançamos o produto, logo depois, em 2016, meu marido ficou 5 meses desempregado. Foi aí que decidimos que esse era o meu propósito: consumir conscientemente. E, se quero uma empresa que ajude a pensar no consumo consciente, porque não começar por mim e minha família? Comecei a usar fraldas de pano na minha filha, que usou durante 1,8 anos. Se usasse fralda descartável por esse tempo, teríamos gasto mais de 3 mil reais. Foi a partir daí que que tudo começou a decolar, as pessoas se identificaram com a minha situação e começaram a entender o meu propósito, o propósito da empresa.”

Outro acerto foi perceber que as indústrias da região seriam bons clientes em potencial, pois distribuir seus produtos como brindes ajudaria a fortalecer uma imagem de empresas preocupadas com o meio-ambiente e a sociedade.

Segundo Ana:

“Como estamos localizados no maior polo industrial de Santa Catarina, começamos a ser conhecidas na cidade e pelas próprias indústrias daqui. Mostramos a eles que poderiam ter nossos produtos para presentear colaboradores, visitantes, representantes e, assim, mostrar que a sua empresa está preocupada com o futuro e por isso também tem interesse de gerar impacto socioambiental. Já participamos de eventos que nossos produtos foram de presente a palestrantes em universidades e eventos da cidade.”

 

Betânia Pontelho – CEO da abeLLha

O que é: incubadora e aceleradora de negócios de impacto social.

Segundo ela, o que mais lhe ajudou foi:

  1. Organização
  2. Utilização das ferramentas certas (abeLLha Digital / Honeycomb)
  3. Uma boa planilha financeira com projeção de custos

DJ Bola – A Banca/ ANIP

O que é: A Banca é uma produtora cultural social de impacto positivo que utiliza a música, a cultura hip hop, educação popular e a tecnologia para promover a inclusão, fortalecer a identidade e o empreendedorismo juvenil da periferia. Uma de suas iniciativas é a ANIP, Aceleradora de Negócios de Impacto da Periferia.

“[Entre] as decisões que fizeram o negócio se fortalecer, a primeira foi o posicionamento. Teve essa missão, visão, princípios e imagem institucional clara. Isso facilita toda a negociação e toda decisão que você venha a tomar no seu negócio. Então ter um posicionamento claro.

Uma outra coisa foi criar estratégias e conexões que façam com que o seu negócio pudesse ir para além da sua rede. Então, se relacionar com as pessoas, de forma que possibilite a troca. Conseguir fazer isso é um grande caminho para o seu negócio ir para mais longe. E o terceiro ponto que eu trago é: não perder o propósito, sempre trabalhar com serviços ou produtos que estejam relacionados com o seu coração, com a sua alma, com o seu dom. Assim você executa as suas ações de uma forma leve, feliz, tranquila, motivada e fica bem fisicamente, emocionalmente”.

 

Felipe Santos – Fepo

O que é: plataforma online que oferece atendimento psicológico acessível a mulheres de baixa renda.

“Pelo Fepo ser B2C é fundamental a escuta constante do que o cliente traz, seja de comentário, crítica ou sugestão e, principalmente, o que está implícito no seu discurso. Essa postura de colocar o cliente como parceiro do negócio foi fundamental para diversas melhorias, sempre com foco na geração de valor e razão pelo resultado do NPS ser elevado”.

 

Marcelo Miranda – flowBTC

O que é: corretora de criptomoedas.

A FlowBTC apostou no pioneirismo. Segundo Marcelo:

“A decisão de apostar em Blockchain, logo no início, quando ainda era uma tecnologia muito nova e não comprovada. Foi um risco alto, mas que nos projetou como pioneiros nessa área. Essa aposta se pagou rápido fazendo nosso negócio decolar quando os primeiros casos de uso começaram a surgir nos anos seguintes.

 

Mario Ernesto Humberg – CL-A Comunicação

O que é: agência de comunicação.

“Hoje atuo como consultor individual. Comecei a empresa em 1981 e entre os fatores que fizeram ela decolar estão os valores que adotamos desde o início, como ética, sustentabilidade, defesa dos direitos humanos e transparência.

A CL-A é hoje minha empresa individual. Nós atuamos fortemente de 1981 a 2011 quando começamos um processo de redução paulatina e, em 2018, passei a atuar individualmente como consultor nas áreas de ética organizacional, gestão de crises e comunicação.”

 

Rachel Añon – ponteAponte

O que é: A ponteAponte é uma empresa social focada no desenvolvimento e na implementação de projetos intra e intersetoriais colaborativos, que potencializam o impacto socioambientais de seus parceiros (OSCs, empresas privadas e órgãos governamentais).

Rachel contou à Kaleydos que a ponteAponte não começou de forma convencional, pensando no negócio. Ao contrário, começaram pensando em contribuir com iniciativas e pessoas que estão à frente das transformações socioambientais, independentemente da causa de atuação, e conectá-las para ampliar e consolidar seus impactos.

Segundo ela, “foi uma forma que a gente viu de colocar a mão na massa, de ajudar essas pessoas [que atuam em causas sociais seja no governo, empresas ou setor 2.5 e terceiro setor] a fazer melhor o que elas já fazem. A gente não viu apenas uma oportunidade de negócio. A gente viu uma oportunidade de ajudar a transformar o mundo”.

Por isso, a primeira coisa que fizeram foi escutar ativamente. Escutar o campo, entender seus desafios e saber onde os empreendedores sociais precisavam de ajuda. “Escuta pra gente foi e continua sendo uma ferramenta importante para o nosso trabalho”.

A segunda atitude que ajudou a negócio a dar certo foi considerar que, sendo uma organização que atua “no meio de campo”, o resultado do trabalho não dependia exclusivamente deles, mas da colaboração em grupo. “Quem tem conhecimento é quem está propondo isso [a iniciativa]. A gente junta uma série de pessoas e faz o propósito da iniciativa funcionar”.

Segundo Rachel: “A gente não visa soluções rápidas, uma escala de produtos em série, mas projetos olhando o impacto de longo prazo e real transformações. Por isso sempre atuamos de forma colaborativa buscando alcançar o número máximo de stakeholders. Isso mitiga riscos e problemas e faz com que as iniciativas reverberem por mais tempo”.

A terceira atitude importante foi aprender a dizer “não”. Aprenderam a dizer não em duas situações: 1) quando percebem que não vão conseguir resolver o que o empreendedor necessita naquele momento ou que está fora do escopo da ponteAponte. Isso requer aprender que não são responsáveis por tudo; 2) quando o projeto já estava ganhando autonomia e acontecendo sem depender da sua ajuda. “Tem hora em que temos que aprender a largar mão, deixar andar por si, transmitir o que conhecemos para que outra pessoa possa contribuir para continuar a transformar.”

Dessa forma, Rachel resume três decisões importantes para fazer a ponteAponte decolar: “escuta, fazer colaborativamente (mesmo que implique em prazos mais longos, mas que sejam mais efetivas e transformadoras por mais tempo) e dizer não (quando percebe que algumas coisas não consegue entregar ou quando já fez tudo o que o projeto precisava).

 

Thiago Campos – Aura Solutions

O que é: a Aura Solutions é uma empresa especializada em soluções para a qualidade da água, que está lançando o DIMI, um disco mineralizador que torna a água alcalina e antioxidante.

Uma das coisas mais importantes para quem está empreendendo é o planejamento. E o planejamento começa a partir do momento em que você se aprofunda em se conhecer e conhecer melhor o seu negócio.

A decisão 1 foi a de fazer um PLANO DE NEGÓCIOS para o meu negócio.

Saber dos seus limites, conhecer o mercado onde está atuando, quem são seus concorrentes, quem são seus parceiros em potencial, qual a linguagem correta a ser utilizada para atingir o público que ao conhecer o seu produto, poderia comprá-lo, previsão de custos, Break Even Point, tributos, estoque mínimo, embalagem, logística, previsão de vendas, vender como? Vender onde? Quais os canais de vendas são mais efetivos para seu negócio? Enfim, tudo inerente ao seu negócio, se qualquer pessoa te fizer uma pergunta sobre como seria, você deve saber responder de pronto.

A decisão 2, foi assumir que, sozinho chegamos mais rápido em um objetivo, porém JUNTOS, CHEGAMOS MUITO MAIS LONGE! E a sustentabilidade de um negócio se dá através da CONTINUIDADE do negócio e não em atingir o objetivo apenas uma vez somente.

A decisão 3, foi buscar aconselhamento com pessoas experientes e que possuem VISÃO de negócios, para te ajudar em perceber aquilo que sozinho, não foi capaz de enxergar e que poderia ser um ponto falho na implementação do negócio, podendo vir a prejudicá-lo.

O acontecimento chave, que fez meu negócio DECOLAR, foi encontrar os parceiros certos, na hora certa. Estando bem preparado, conhecendo bem o PLANO DE NEGÓCIOS, para poder apresentar o negócio de forma sucinta e com todas as informações necessárias para comprovar que o negócio vale a pena é imprescindível.

E por fim, o acontecimento CHAVE, que foi uma junção de tudo que mencionei anteriormente, foi uma pergunta que um GRANDE conselheiro meu me fez quando eu estava no início deste processo.

A pergunta foi: Você acredita que daqui 50 anos, seu produto ou serviço ainda será interessante e consumido?

Como a resposta foi, no meu caso, SIM, então isso me fortaleceu e me deu a determinação de seguir em frente.


Foto: Visual Hunt

Redação Kaleydos

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