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empreendedorismo feminino

Empreendedorismo feminino e negócios de impacto promovem a igualdade de gêneros

Entenda as oportunidades e os desafios para mulheres empreendedoras no Brasil

O dia 19 de novembro marcou o Dia Mundial do Empreendedorismo Feminino e essa data suscita falar sobre negócios fundados por mulheres, tanto os tradicionais como os de impacto social. Em um mundo em que a desigualdade de gêneros é um desafio, o empreendedorismo pode ser uma ferramenta importante para combatê-la e tornar a sociedade mais igualitária para mulheres e homens. Mas isso não acontece sem um esforço consciente de todos os atores do ecossistema empreendedor: de quem empreende, de quem investe, de organizações intermediárias e de apoio e do governo e suas políticas públicas. Essa matéria tem como objetivo tornar essa necessidade mais clara e apontar algumas soluções.

Mas por que é tão importante falar sobre igualdade de gênero no empreendedorismo? Um dado da pesquisa O Papel dos Negócios Sociais no Apoio ao Empoderamento Feminino no Brasil, da British Council, torna essa necessidade mais do que clara: 66% das empresas brasileiras não têm mulheres em posição executiva. Em outras palavras, o ecossistema empreendedor reflete o resto da sociedade, em que o protagonismo feminino não é incentivado.

Uma outra maneira de se fazer negócios, mais inclusivo para as mulheres, é possível e é sobre isso que esta matéria falará. O empreendedorismo consciente pode favorecer o protagonismo feminino e isso, por si só, já reduz a desigualdade de gêneros. Além disso, negócios de impacto podem gerar soluções de mercado para as demandas e necessidades das mulheres, inclusive e principalmente àquelas em situação de vulnerabilidade social.

Para compreender a desigualdade de gênero no ecossistema empreendedor brasileiro em geral, e nos negócios de impacto em específico, consultamos três estudos: 1) 2º Mapa de Negócios de Impacto Social + Ambiental (publicado pela Pipe.Social em 2019); O Papel dos Negócios Sociais no Apoio ao Empoderamento Feminino no Brasil (publicado pela British Council em 2017); 3) Empreendedorismo no Brasil – Um recorte de gênero nos negócios (publicado pelo Instituto Rede Mulher Empreendedora em 2019). É principalmente sobre esses dados que essa matéria se apoia. Também consultamos atores do ecossistema de impacto social.

Nessa matéria, você entenderá qual é o perfil da mulher empreendedora brasileira, a persistência da desigualdade de gêneros nos negócios de impacto e como o empreendedorismo feminino e os negócios de impacto podem promover a igualdade de gêneros. Também conhecerá organizações de apoio a negócios fundados por mulheres e casos de sucesso de negócios de impacto que promovem uma sociedade mais igualitária. Por fim, lerá os depoimentos de vários atores desse ecossistema sobre a importância de se promover a igualdade de gêneros por meio do empreendedorismo.

Boa leitura!


Este é um conteúdo da série:


É necessário empatia para gerar mais oportunidades a mulheres no ecossistema empreendedor

Falando-se em empreendedorismo feminino, a palavra-chave é empatia.

Quem melhor entende as necessidades, dores e demandas das mulheres são elas mesmas. Por isso, para que negócios gerem soluções eficientes para o público feminino, é preciso que as mulheres sejam protagonistas no ecossistema empreendedor.

Atualmente, esse ambiente ainda é predominantemente masculino. Homens são maioria entre empreendedores, entre investidores e nas organizações intermediárias de apoio a startups. Por esse motivo, é natural que então que os atores do ecossistema tenham mais facilidade para avaliar soluções dirigidas ao público masculino e às suas dores e mais dificuldade para avaliar aquelas dirigidas às mulheres. Afinal, são soluções que estão fora da sua vivência e experiência pessoais.

Assim, é importante haver mais mulheres empreendendo, atuando em organizações intermediárias e também fazendo investimentos (participando de redes de investidores-anjo ou atuando nos boards de fundos de Venture Capital – inclusive já existem redes de investimento especializados em negócios femininos).

Por isso são importantes, por exemplo, chamadas de negócios como a da Aceleração Itaú Mulher Empreendedora, que está selecionando empreendedoras com soluções com alto potencial de impacto socioambiental, para capacitação, apoio e mentoria.

Perfil da mulher empreendedora revela a desigualdade de gêneros nos negócios

A pesquisa do Instituto Rede Mulher Empreendedora revela dados preciosos sobre o empreendedorismo feminino e vários deles tornam clara a desigualdade entre gêneros e quais desafios são mais típicos de empreendedoras mulheres. Nesta seção, resumimos os principais resultados do estudo.

Perfil geral

59% das empreendedoras brasileiras são casadas e 52% têm filhos. A maioria empreende após os 30 anos e 61% dos seus negócios foram abertos nos últimos 3 anos. 58% delas trabalham em casa e 54% dos negócios estão na área de serviços. Além disso, são mais escolarizadas do que os homens: 69% têm graduação ou pós-graduação, contra 44% dos homens.

Homens e mulheres empreendem por motivos diferentes

A maioria das mulheres empreende pela flexibilidade de horário e para ter mais tempo para a família. Já os homens, em geral, o fazem pela renda extra e vocação natural. Ou seja, enquanto homens normalmente praticam o empreendedorismo de oportunidade, as mulheres tendem a praticar o empreendedorismo de necessidade, como uma forma de melhor conciliar a vida pessoal com a vida familiar.

Mulheres empreendedoras ganham menos

50% dos negócios de mulheres têm faturamento mensal de até R$ 2.500. Entre os homens, apenas 30% dos negócios estão nesse patamar. Além disso, para 38% delas o seu negócio é a principal renda familiar. Quando formalizados, 57% dos negócios são MEIs, modalidade adequada para quem trabalha sozinha e fatura pouco.

As dores da mulher empreendedora

Qualquer empreendedor tem as suas dores e os seus desafios. Que tendem a ser diferentes por vários fatores, incluindo o gênero. Novamente, a pesquisa do Instituto Rede Mulher Empreendedora indica quais desafios são mais típicos das mulheres do que dos homens.

Dedicação ao negócio X Dedicação à casa e à família

Um claro sinal de desigualdade de gênero no empreendedorismo brasileiro é que o principal desafio das mulheres empreendedoras não está diretamente relacionado à gestão do negócio. Seu maior desafio é gerenciar o tempo dedicado ao trabalho e à família. No caso dos homens, o desafio é de fato relacionado ao negócio: obter acesso a recursos financeiros.

Mulheres têm menos tempo para o negócio devido à conhecida dupla jornada: elas se dedicam mais à casa e aos filhos do que os homens (em média, 24% mais tempo com a família do que eles). Esses dados corroboram a informação de que elas geralmente empreendem para ter mais flexibilidade de horário e tempo para a família.

Planejamento e administração

Somente 34% das mulheres se sentem capazes de planejar. Entre os homens, 50% deles se sentem aptos a isso. 49% das mulheres abrem um negócio sem planejamento. Apenas 44% dos homens fazem o mesmo.

Confiança e gestão

73% das mulheres tomam decisões de negócio sozinhas, mas apenas 28% delas se sentem seguras com a gestão financeira. Entre os homens, somente 44% tomam decisões sem o apoio de outras pessoas e 50% estão seguros com a gestão financeira. Além disso, 41% das mulheres misturam o dinheiro da casa com o negócio, contra 28% dos homens.

Acesso a recursos financeiros

Essa é uma dor comum a todos os empreendedores e é ainda mais difícil para mulheres. 40% de homens e mulheres começam o negócio sem capital. 63% das mulheres nunca consideraram ou foram atrás de um empréstimo bancário. Ao contrário dos homens: 57% deles já consideraram, pesquisaram ou solicitaram um empréstimo. 

Quando uma mulher solicita empréstimo ou crédito, geralmente recorrem a familiares ou amigos, no lugar de instituições financeiras. E 67% delas usam esses empréstimos para giro ou despesas não planejadas, em vez de investimentos para estruturar melhor o negócio.

O perfil dos empreendedores de impacto brasileiro ainda é predominantemente masculino

Alguns dados do 2º Mapa de Negócios de Impacto Social + Ambiental parecem corroborar que a desigualdade de gêneros também está presente nos negócios de impacto. Segundo o mapa, o perfil típico do empreendedor de impacto brasileiro é o de um homem branco, jovem adulto, que empreende na região sudeste. De todos os empreendedores mapeados, 66% são homens. Além disso, 50% dos negócios têm apenas homens ou mais homens do que mulheres entre seus fundadores.

Negócios de impacto femininos têm mais dificuldade para cruzar o “vale da morte”

Sobreviver aos estágios iniciais de desenvolvimento de um negócio – nos quais ainda se está tentando conquistar o mercado e faturar e em que há menos acesso a investimentos – é desafio de qualquer empreendedor, homem ou mulher. Mas dados do estudo da Pipe.Social revelam que cruzar o “vale da morte” pode ser mais desafiador para mulheres.

Por exemplo, entre os negócios que faturam entre R$501mil a 1milhão/ano, 67% são fundados por apenas ou mais homens. Entre os que faturam R$ 4,1 milhões ou mais, esse percentual chega a 74%.

Conforme os negócios avançam na jornada do empreendedor, a quantidade de negócios femininos gradualmente se reduz. Na fase de organização do negócio, 37% foram fundados por apenas ou mais mulheres. Já na fase seguinte, de tração, esse percentual é reduzido para 17%.

Empreendedoras têm mais dificuldade para acessar investimentos

Como mencionado anteriormente, a pesquisa do Instituto Rede Mulher Empreendedora revela que, em geral, quando uma mulher solicita empréstimo ou crédito para o seu negócio, geralmente recorrem a familiares ou amigos, em vez de instituições financeiras. No caso dos negócios de impacto, o mapa da Pipe.Social traz dados semelhantes: empreendedoras de impacto acessam menos capital via investidores, quando comparadas a empreendedores. Seus recursos costumam ser obtidos por doação e empréstimos.

Negócios com maior presença masculina no quadro societário acessam mais investimentos por meio de incubadoras/ investidores, empresas privadas, fundos de venture capital, fundos de private equity e institutos/ fundações. Ao contrário desses, negócios com maior presença feminina entre seus fundadores acessam fontes como crowdfunding, FFF (Family, friends & fools), instituições públicas/ governo, bancos de fomento e bancos comerciais.

Como o empreendedorismo feminino e os negócios de impacto podem promover a igualdade de gêneros

Apesar de constatar que a desigualdade de gêneros também está presente nos negócios de impacto brasileiros, a British Council conclui que esse tipo de empreendedorismo fortalece o protagonismo feminino de três formas:

  • Criando o empoderamento econômico para as mulheres através do microempreendedorismo;
  • Oferecendo oportunidades de treinamento ou emprego para mulheres;
  • Fornecendo produtos e serviços para mulheres a custos acessíveis.

Além disso, os negócios de impacto aumentam a autoestima das mulheres empreendedoras. As empreendedoras que participaram da pesquisa British Council relatam que começar o seu próprio negócio lhes deu um sentimento de autovalorização, o que as tornou mais capazes de fazer suas próprias escolhas e que se tornaram mais autoconfiantes.

Ações para a igualdade de gêneros nos negócios de impacto

O relatório da British Council faz uma série de recomendações para governos e formuladores de políticas públicas, bem como para investidores e organizações do ecossistema de negócios sociais e de impacto, visando a igualdade de gêneros.

Algumas destas recomendações incluem:

Para governos/ formuladores de políticas públicas

  • Introduzir a educação em empreendedorismo social nas escolas incluindo um foco específico no endereçamento da desigualdade de gêneros;
  • Promover maior representação de mulheres em cargos de liderança em órgãos públicos;
  • Implantar campanhas de políticas públicas para endereçar a estereotipagem nociva de gêneros no Brasil.

Para investidores

  • Assegurar igualdade de representação entre homens e mulheres na Aliança dos Negócios e Investimentos de Impacto, e que as vozes dos diferentes grupos de mulheres sejam ouvidas;
  • Usar uma ‘lente de gênero’ na tomada de decisões de investimento, entendendo as barreiras adicionais enfrentadas pelas empreendedoras;
  • sociais, além dos pontos fortes de negócios sociais liderados por mulheres;
  • Lançar fundos e subvenções agrupadas para investimento social liderado por mulheres, para mulheres.

Para organizações do ecossistema de negócios sociais e de impacto

  • Criar redes de suporte de pares para empreendedoras sociais que incluam a construção de capacidade e desenvolvimento de habilidades;
  • Pesquisar, entender e divulgar a diferença salarial por gênero nos negócios sociais;
  • Promover a importância de medir os impactos socioambientais e incluir a igualdade de gênero como parte destas métricas.
Organizações de apoio ao empreendedorismo feminino

Pensando nas características e desafios específicos do empreendedorismo feminino, surgiram no Brasil iniciativas para apoiar negócios fundados por mulheres. Conheça alguns.

Itaú Mulher Empreendedora

Programa do banco Itaú que oferece conteúdos, ferramentas e cursos para aprimorar as técnicas de gestão de empresas fundadas por mulheres. Também cria um ambiente para expandir redes de relacionamento, realizar negócios, parcerias e trocas de informações.

Rede Mulher Empreendedora

Idealizada em 2010, é a primeira e maior rede de apoio ao empreendedorismo feminino do Brasil. Fomenta a integração, capacitação e troca de conhecimento entre mulheres que possuem ou buscam o próprio negócio em todo o Brasil. Em 2018, lançou a Aceleradora Herd, que cria programas de desenvolvimento e apoio a negócios de mulheres.

Sebrae 1000 Mulheres

Iniciativa do Sebrae com o objetivo de capacitar 1000 mulheres em situação de vulnerabilidade social no Estado de São Paulo. O programa oferece 20h de capacitação em 5 dias consecutivos, totalmente gratuito, que aborda os temas gestão, empreendedorismo, empoderamento feminino e negócios de impacto social.

Negócios de impacto que promovem a igualdade de gênero

Conheça casos de sucesso de negócios que abordam a questão de gênero.

Ateliê Cendira

Um projeto apoiado pelo Instituto Jatobás, é um coletivo de mulheres que gere, de forma horizontal, um espaço colaborativo de práticas voltadas ao bem-estar feminino. Suas atividades abrangem setores como moda, economia compartilhada, troca de saberes e sustentabilidade.Saiba mais.

Joaquina Brasil

Startup que alia moda a impacto social e sustentabilidade. Emprega pessoas em situações de vulnerabilidade social. Entre elas, ex-presidiárias, mulheres com pouca competitividade no mercado de trabalho e imigrantes que tenham sofrido de algum tipo de exploração ou trabalho análogo à escravidão. Saiba mais.

Kunla

Mães em comunidades com filhos pequenos costumam ter mais dificuldade em assegurar empregos formais. Este é o público que a startup foca. Trata-se de um negócio inclusivo que capacita essas mães a atuarem como agentes de recrutamento e seleção de profissionais, enquanto gera demanda para o serviço delas através de uma plataforma tecnológica. Saiba mais.

Meninas Mahin

Outro projeto apoiado pelo Instituto Jatobás, o Meninas Mahin é um coletivo que tem o intuito de promover e valorizar o afroempreendedorismo, por meio de feiras em espaços públicos ou corporativos, em que mulheres pretas expõem os seus produtos. Mais do que isso: aprendem de forma lúdica a se ver como gestora e a gerir o seu negócio. No início, atuava na Zona Leste da cidade de São Paulo, mas sua estrutura e organização cresceu e hoje atende a todo o estado de São Paulo. Saiba mais.

Rebell Nell

Sediada em Detroit, nos EUA, esta empresa produz jóias, como colares, anéis, brincos e braceletes, a partir de restos de grafite que caíram dos muros. A coleta dos resíduos e a manufatura das jóias é realizada por mulheres em situação de rua. Saiba mais.

Rede Asta

Já bastante conhecida no meio do empreendedorismo social brasileiro, este negócio apoia o protagonismo de mulheres artesãs no desenvolvimento de produtos a partir do reaproveitamento de resíduos de grandes empresas. Com seu apoio, as artesãs obtêm acesso a uma demanda corporativa constante, rede logística e capacitação profissional. Saiba mais.

Soulphia

Escola de inglês online que emprega mulheres sem-teto de Nova York como professoras. Em seu projeto piloto, selecionou seis mulheres que dão aulas a alunos do Brasil e outros países. Saiba mais.

Opiniões sobre empreendedorismo feminino e negócios de impacto para mulheres

Kaleydos coletou as opiniões de alguns atores do ecossistema de negócios de impacto sobre o tema. Confira abaixo.

Anette Kaminski, coordenadora da Kaleydos

“Apesar de avanços nos últimos anos, percebo que no ecossistema de impacto ainda temos disparidade entre os gêneros e pouca visibilidade e reconhecimento para empreendedoras sociais. 

Além dos desafios inerentes de colocar o negócio de pé, as empreendedoras também enfrentam desafios adicionais em relação aos homens, como por exemplo, acesso a capital e investimento, poucos modelos femininos para inspiração e seguir, pressões culturais e familiares, disparidade nas obrigações domésticas, falta de serviços de cuidado com as crianças (pouca oferta de creches para crianças em idade pré-escolar e educação pública em período integral) e às vezes até preconceito e discriminação.

As decisões de investimento deveriam ser analisadas em painéis equilibrados em termos de gênero (e raça) para que possamos ter como meta desenvolver portfólios mais inclusivos em termos de equidade de gênero dos fundadores e gestores dos negócios – e assim refletir melhor a composição demográfica da população brasileira. A igualdade de gêneros também precisa ser uma das métricas de impacto social dos modelos de negócios”.

Ednusa Ribeiro, fundadora do coletivo Meninas Mahin

“A gente também desmistifica essa moda do empreendedorismo. A gente sabe que a mulher preta faz empreendedorismo desde que finalizou o processo da escravatura desse país, entendeu? Tanto que o nosso nome vem de Luiza Mahin. Luiza Mahin já vendia seus quitutes quando terminou a escravidão. Isso já era uma forma de empreendedorismo em vários outros séculos. Então a gente já se virava. Está faltando dinheiro pra luz, pra água? O que eu vou fazer? É geladinho, coxinha? A gente sempre soube que a mulherada arregaçava as mangas dentro das suas casas e ia fazer. Só que a gente viu essa necessidade, mas a gente também falou, não é só regularizar, é mostrar pra essa mulher que ela não é só uma empreendedora comum, que ela não é só uma artesã, que ela não está fazendo isso por bico. A gente tem empreendedoras assim que querem só isso, pronto e acabou. Mas mostrar que ela é gestora de negócio, falar de dinheiro tranquilamente, falar do financeiro, falar de planejamento estratégico, entendeu?”

João Santos, co-fundador da Kaleydos

“O empreendedorismo feminino vem ganhando destaque sobretudo porque no Brasil o público feminino representa uma demanda social gigantesca. A mulher é o ponto de equilíbrio da família, a pessoa que cuida do orçamento, da educação do filho… Ela tem um papel na sociedade que é sem dúvida nenhuma determinante para a estabilidade social do país. A mulher tem uma capacidade muito grande de se juntar e se articular para viabilizar negócios, causas e propósitos em comum. Então acredito que o empreendedorismo feminino no Brasil vá crescer nos próximos anos significativamente, que o ecossistema de apoio a esses negócios está se articulando para dar uma atenção cada vez maior às mulheres que têm esse potencial”.

Marcella Puglia, consultora da Yunus Corporate e head de aceleração do programa Itaú Mulher Empreendedora

“Apoiar as mulheres é uma forma de democratizar a educação empreendedora e fortalecer o ecossistema de empreendedorismo feminino, que é uma importante ferramenta de transformação social e tem contribuído diretamente para o crescimento do nosso país. É preciso apostar na representatividade feminina, pois ainda podemos notar que poucas mulheres possuem destaque no setor. No Brasil, este ecossistema se limita a regiões mais desenvolvidas e geralmente é dominado por homens. Por isso é fundamental que existam programas de aceleração pautados em mulheres para ajudá-las se verem como gestoras com grande potencial transformador.”

Mariana Fonseca, co-fundadora da Pipe.Social

“A igualdade de gênero é uma causa dentro dos negócios de impacto social. Assim como olhamos negócios trabalhando desafios de pessoas com deficiência, questões de saúde específicas, questão racial, você também tem negócios promovendo soluções que diminuem a desigualdade de gênero. E fazem isso em vários sentidos. Como oferecer trabalho, formação e oportunidades iguais. Há também negócios de impacto que trabalham muito essa questão da mulher, da gestão financeira da casa, da rotina de trabalho dupla, tripla que as mulheres de baixa renda têm. 

Paralelamente, como a gente tem uma base interessante de mulheres vindo empreender, acho que só por serem mulheres fazendo pitches, estando à frente de grandes negócios e sendo cases, também promovemos uma igualdade de gênero por inspiração. Eu posso estar resolvendo um problema em agricultura, se você for mulher e estiver no palanque, isso gera empatia, gera inspiração para outras mulheres. Eu brinco que, em todo evento de empreendedorismo que eu vou, o case é sempre a Luiza Helena Trajano. Ela tem um super mérito, mas não é possível que a gente não tenha outras grandes mulheres empreendedoras à frente de empresas que deveriam estar no palco e sendo vistas como referência. Precisamos dar mais luz a essas outras mulheres. Não só quem trabalha com questão de gênero, mas quem está aí na luta de empreender, porque a gente precisa ter referência.”

Suzane Costa, co-fundadora do Ateliê Cendira

“Fomentar o empreendedorismo feminino é importante para possibilitar a independência financeira, emocional e psicológica das mulheres. É possibilitar a autonomia criativa, estimular a liberdade dos corpos no seu ir e vir dentro da cidade, fora das amarras do mercado formal. É dar alternativa para seu fazer, dando valor também ao fazer reprodutivo de cada mulher.

Infelizmente, na sociedade patriarcal em que vivemos, o que mais atrapalha uma mulher a empreender é que a manutenção da vida, o fazer reprodutivo, fica sob sua total responsabilidade (filhos, fazeres domésticos, cuidar dos idosos e doentes, alimentação). Tantas tarefas a serem realizadas, sem divisão, mina a energia criativa, o tempo e até mesmo a auto-confiança.”

Seu negócio de impacto promove a igualdade de gêneros e precisa de apoio? Entenda o que fazer

Se você busca apoio para o seu negócio de impacto se fortalecer e escalar, há algumas atitudes que podem ser tomadas.

Uma é apresentar o seu negócio à Kaleydos por meio deste formulário. A Kaleydos, iniciativa do Instituto Jatobás, é uma plataforma de investimento e desenvolvimento de soluções e negócios que contribuem com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS). Busca e seleciona startups de impacto em estágio inicial, alinhadas a um ou mais ODS, com potencial de viabilidade e escalabilidade, impacto socioambiental mensurável e modelos de negócios inovadores. Saiba mais aqui.

Outra é cadastrar a sua startup na Pipe.Social, a maior vitrine de negócios de impacto socioambiental do Brasil. Você ganhará visibilidade entre investidores, aceleradoras, marcas, fundações, governos, mentores, investidores anjo, mídias e potenciais parceiros.


Sobre a Kaleydos

Kaleydos é uma plataforma de investimento e desenvolvimento de soluções e negócios alinhados aos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS). Apoiamos negócios inovadores em estágio inicial de maneira personalizada mesclando mentoria, capital semente e co-gestão. Somos uma iniciativa do Instituto Jatobás. Clique aqui para saber mais sobre nós.

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