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Negócios sociais: empreendedorismo que soluciona problemas sociais

A lógica do mercado na solução de desafios socioambientais

O que são Negócios Sociais

infográfico sobre negócios sociais
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(Fonte: Porvir)

Para o economista e criador do Grameen Bank Muhammad Yunus, Negócios sociais (NSs) são “um novo modo de pensar empresa”. A Bemtevi, organização que fomenta este modelo, explica o conceito com mais precisão:

“São empresas que nascem com o objetivo de resolver problemas sociais e/ou ambientais e tem como premissa a não distribuição de dividendos”.

Este artigo do Sebrae adiciona que NSs “(…) são soluções de negócios para problemas sócio ambientais”, em que “viabilidade econômica e preocupação social e ambiental possuem a mesma importância e fazem parte do mesmo plano de negócios”.

Diz também que devem ampliar:

“(…) as perspectivas de pessoas marginalizadas pela sociedade, aliada à possibilidade de gerar renda compartilhada e autonomia financeira para os indivíduos de classe baixa”.

Assim, o impacto social positivo do negócio não é apenas acessório, puramente marketing ou green washing. Ao contrário, é seu core business.

Para o site Empreendedorismo em Negócios Sociais, da Universidade Federal do Paraná (UFPR), há três categorias de negócios sociais:

1.    Empresas de integração ao trabalho;

2.    Empresas que produzem produtos e serviços para comunidades de baixa renda;

3.    Empresas que favorecem o desenvolvimento social e econômico local promovendo a participação dos cidadãos e do governo local nas atividades.

Sustentabilidade financeira para gerar impacto positivo

A preocupação socioambiental não significa que negócios sociais não visem lucro. O superávit é fundamental para a sustentabilidade financeira da empresa, de forma que se possa continuar o seu trabalho e gerar o impacto positivo almejado. Sem o lucro, o projeto tem vida curta e não pode solucionar o problema a que se propôs resolver. Portanto, gestão eficiente é uma prioridade, como em qualquer empresa tradicional de sucesso.

Em relação à distribuição de dividendos, há duas correntes opostas de pensamento. Por exemplo, a citação da Bemtevi no começo deste artigo afirma que em um negócio social eles não são distribuídos. Portanto, a totalidade do lucro deve ser reinvestido no próprio negócio. Isso ampliaria o seu impacto e evitaria que o retorno financeiro terminasse por se tornar o objetivo principal dos investidores, descaracterizando o negócio social. Esta é a linha de pensamento defendida por Muhammad Yunus.

A outra corrente de pensamento, representada por Stuart Hart e Michael Chu, professores das Universidades de Cornell e Harvard, nos Estados Unidos, defende que haja a distribuição do lucro. Segundo eles, isso possibilitaria atrair mais investidores e permitiria a criação de novos negócios, gerando ainda mais impacto social positivo. Neste caso, negócios sociais com distribuição de lucro podem ser considerados a mesma coisa que os negócios de impacto.

São duas correntes com visões diferentes, mas com o mesmo propósito: superar desafios sociais.

Produtos e serviços acessíveis à base da pirâmide

Os produtos e serviços oferecidos por um negócio social são oferecidos tendo-se em mente que o objetivo principal é gerar impacto e não distribuir dividendos. Por isso, os preços praticados devem ser suficientes para tornar a empresa lucrativa, e ao mesmo tempo tornar suas ofertas acessíveis à base da pirâmide.

Pensando em favorecer a população de baixa renda, com menos acesso a produtos e serviços de qualidade, uma empresa social pode adotar o mecanismo de subsídio cruzado.

Neste mecanismo, um mesmo produto ou serviço é oferecido a preços diferentes para pessoas de diferentes condições sociais. Assim, os produtos e serviços mais caros e com maior lucro subsidiam os mais baratos, sem lucro ou até mesmo com uma margem de prejuízo aceitável. Obviamente, os lucros dos produtos mais caros devem superar o eventual prejuízo dos mais baratos, para que haja sustentabilidade financeira.

Contexto e intencionalidade para caracterizar Negócios Sociais

Para o Centro de Empreendedorismo Social e Administração em Terceiro Setor da Universidade de São Paulo (CEATS), a realidade local e o compromisso com o desenvolvimento de um território são importantes para determinar se um negócio pode ser definido como social.

Por exemplo, a oferta de energia solar para a base da pirâmide, em uma área rural isolada não atendida pela rede elétrica nacional, seria considerada um negócio social. O mesmo serviço oferecido em São Paulo, cidade atendida pela Eletropaulo, não o seria.

Por outro lado, a intencionalidade do negócio também é importante para considerá-lo social. Exemplificando, uma lanchonete aberta pelo morador de uma comunidade carente, para atender seus vizinhos, beneficia um empreendedor de baixa renda. Mas não é necessariamente uma empresa social.

Contudo, se esse mesmo negócio tivesse a intenção de mudar a situação socioeconômica de um grupo de pessoas – por exemplo, oferecendo-lhes capacitação profissional e/ou geração de renda – ele seria considerado dessa forma.

Últimas palavras

Os negócios sociais ainda têm um grande campo para crescer no Brasil. Atualmente, há uma série de organizações dedicadas a fomentar estas iniciativas. Aos poucos, o conceito de aliar a lógica do mercado ao bem social passa a se estabelecer, sendo fundamental para a resolução de tantos desafios socioambientais ainda a serem superados.

Para saber mais

Sebrae: O que são negócios sociais?

UFPR: Negócios sociais

Yunus Negócios Sociais – O que são negócios sociais

Revista Pequenas Empresas Grandes Negócios – 10 ideias para abrir um negócio social

Porvir – Entenda o(s) conceito(s) de negócios sociais


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