Kaleydos

Quais os principais termos da rodada para startups?

Entenda as vantagens e características de captações de equity ou dívida, e saiba qual o melhor para seu negócio

Do Kria

Ao buscar financiamento para seu negócio, o empreendedor se depara com algumas alternativas para a estruturação da rodada. As mais comuns são: rodadas de dívida e rodada de equity (participação).

Para decidir qual a melhor estrutura, é importante entender como funcionam esses modelos de financiamento e quais suas vantagens e desvantagens para o negócio.

Captação via dívida:

Neste modelo, o empreendedor pega o dinheiro emprestado e se compromete a devolvê-lo, acrescido de juros, periodicamente. Independente do sucesso do negócio, a empresa deve pagar ao credor o empréstimo + remuneração.

Vantagens e desvantagens

Vantagens: Um dos principais benefícios em uma captação via dívida é o controle do negócio, visto que este modelo não envolve a diluição da participação dos acionistas da empresa.

Além disso, a emissão de dívidas fornece um custo previsível do capital: a remuneração é estabelecida no momento da captação — e invariável, independente do sucesso do negócio.

Desvantagens: A principal desvantagem do empréstimo é não conseguir pagar a dívida. Ter caixa disponível — e regular — para remunerar os investidores (mensal ou anualmente) é difícil para negócios em estágios iniciais. Além disso, o dinheiro que é usado para pagar a dívida limita o seu potencial de crescimento, pois não pode ser completamente aplicado no negócio.

Para quem é?

A captação via dívida não é muito comum para empresas em estágios iniciais. Deve ser considerada por negócios já consolidados no mercado, com fluxo de caixa recorrente.

Levando em conta o contexto brasileiro, com as altas taxas de juros no mercado, a captação via dívida é atraente para negócios de impacto social — e que atraem investidores em busca de mais do que retorno financeiro.

Principais termos

  • Remuneração: O juros a ser pago aos investidores, base anual (deve ser superior ao IPCA).
  • Data de vencimento: O padrão é de 5 anos.
  • Pagamento: Periodicidade da remuneração. Pode ser mensal/semestral/anual.
  • Período de carência: Lapso de tempo antes do início do pagamento das dívidas.

Captação via equity (participação acionária):

Equity (ou participação) é o modelo mais comum de financiamento para startups. Nessa estrutura, o empreendedor vende uma participação (%) em troca do capital, e o pagamento aos investidores ocorre no futuro, e apenas caso o negócio dê certo.

Vantagens e desvantagens

Vantagens: Potencializa o capital de giro do negócio, visto que a remuneração dos investidores não ocorre imediatamente — e, portanto, o dinheiro captado pode ser investido no crescimento no negócio.

Trata-se de um investimento de maior prazo e o investidor assume o risco de que, se o negócio não der certo, poderá perder todo o dinheiro investido. Em contrapartida, se o negócio cresce, o retorno do investidor cresce proporcionalmente.

Desvantagens: O empreendedor dilui sua participação na empresa, ao cedê-la a demais investidores.

A perda de controle do negócio é um dos riscos dos empreendedores que negociam termos muito desfavoráveis e acabam vendendo uma participação muito grande aos investidores.

Para quem é?

Geralmente, equity é a melhor opção para negócios ainda nascentes e com foco em crescimento. Esses tipos de negócios envolvem riscos e, neste modelo, o empreendedor divide os riscos com os investidores, que compartilham do interesse de ver o negócio crescendo.

Principais termos

  • Avaliação: A avaliação (valuation) é o termo mais importante em captações via equity. Diz respeito a quanto % da empresa está sendo vendida em troca do investimento. A avaliação pode ser fixa ou variável, e neste caso, depender de uma rodada subsequente de investimento (saiba aqui como avaliar seu negócio).
  • Data de vencimento: O padrão é de 5–10 anos, mas pode ser alterado. Há a opção de um vencimento antecipado do contrato, em caso de um evento de liquidez.
  • Direito a informação: O investidor poderá acompanhar o desempenho da startup? No Kria, a startup é obrigada a reportar aos investidores o avanço de seus indicadores de sucesso (KPIs), pelo menos semestralmente.
  • Preferência pró-rata: Garante que o investidor poderá manter sua participação na empresa em próximas rodadas, sem ser diluído, com direito de compra de ações/títulos em novas emissões.
  • Tag along: Direito de venda conjunta garantido ao investidor. Ou seja, se os controladores da empresa venderem suas partes na empresa, o investidor poderá acompanhá-los.
  • Drag along dos majoritários: Obrigação dos acionistas minoritários de vender ações em eventual saída dos controladores.
  • Preferência de liquidação: Preferência dos acionistas no recebimento de resultados ou no reembolso do capital em caso de liquidação da empresa.

Equity na prática:

Para startups que são sociedades limitadas (ltda.), não há emissão direta de ações na empresa. Neste contexto, um investimento por equity é viabilizado através de contratos de investimento que garantem a conversão futura em ações.

No Kria, adotamos o instrumento de Dívida Conversível:

Dívida conversível (TDC)

Este instrumento combina o financiamento de dívida e equity. O investidor se torna, em um primeiro momento, credor de uma dívida e fica a critério dele convertê-la em participação acionária na empresa, no momento de vencimento do contrato ou em um eventual evento de liquidez do investimento.

Caso o investidor prefira resgatar a dívida (com uma remuneração de, geralmente, IPCA + 3%), o resgate ocorre também no momento do vencimento.

Vale ressaltar que no modelo de Dívida Conversível o interessante para o investidor não é resgatar a dívida, e sim converter em participação acionária na organização, e assim ter seu capital valorizado junto com a valorização da empresa.

Redação Kaleydos

Assine nossa newsletter

Preencha os campos abaixo para receber nossa newsletter mensal.
E-mail *
Nome
Sobrenome
Organização
Cargo
*Campo obrigatório

Faça um comentário